Minha Vitrine Virtual

October 9th, 2008 - No Responses

Quando, no século passado, o existencialista Jean-Paul Sartre disse “Só através dos olhos dos outros posso ter acesso à minha própria essência, ainda que temporária” parecia que já imaginava o empenho das pessoas em construir uma identidade virtual atraente para quem acessa nossos múltiplos perfis nas redes sociais.

Não é de hoje que se criou a necessidade de trabalharmos nosso endomarketing de forma a nos vendermos como pessoas interessantes ou relevantes para o público que almejamos atingir. Na era da internet e das redes sociais temos pessoas que nos adicionam por nos conhecerem pessoalmente e há muitos que nos adicionam pelo modo como nos enxergam e nos avaliam, através de nossa vitrine virtual.

Segundo Danah Boyd, referência mundial em comportamento nas redes sociais, que palestrou semana passada no evento Digital Age 2.0 em São Paulo, a aproximação de pessoas através das redes sociais acontece devido a identificação de afinidades que são interpretadas através do nosso perfil em redes sociais. Claro que nem todos montam seu perfil de forma condizente com a nossa personalidade e gostos, pois é comum as pessoas estruturarem seu perfil, sua vitrine virtual, a partir do como Querem Parecer – como gostariam de ser.

Ainda ressaltado pela Danah Boyd, temos anseio em conquistar uma platéia nas redes sociais e os nossos amigos juntamente com as demais pessoas que nos adicionam são a nossa platéia. Carentes de atenção e de aceitação que somos, construímos nossa identidade virtual da forma mais atraente possível.

O Orkut já foi, e para algumas pessoas ainda é, uma vitrine de beleza e popularidade onde, se temos muitos scraps de garotas gatas nossa moral pode aumentar perante nossos amigos, e se temos muitos amigos podem pré-supor que somos populares e, para ser popular no mínimo temos que ser interessantes. Quanto mais interessante parecermos, mais pessoas desejarão nos adicionar e isso é o alimento para o ego que precisamos para completar nosso anseio pela aceitação alheia.

Imaginei uma mecânica semi-inconsciente que algumas pessoas (de determinada faixa de idade 14–21 predominante no Orkut) podem utilizar para analisar vitrines virtuais e selecionar novos amigos/ou possíveis xavecos:

Mecânica de leitura de Vitrine Virtual no Orkut

Mecânica de leitura de Vitrine Virtual no Orkut

1)    A pessoa é bonita
2)    É comprometida? Tem algo de interessante a dizer? Onde mora? Qual Signo?
3)    Seus interesses são semelhantes com os meus, ou demonstra através de suas comunidades alguns atributos e gostos que valorizo?
4)    Os aplicativos de Orkut abriram uma nova possibilidade de pré-leitura de vitrines virtuais. Buddy Poke (11 milhões de usuários) Com quem mais interage e de que forma? Parece que anda flertando com alguém? Vou, Não Vou! (um dos 3 mais populares aplicativos de Orkut) Qual o perfil das pessoas que ela acha bonita, há muitas pessoas que consideram ela atraente? Minha músicas (um dos 3 mais populares aplicativos de Orkut) > O gosto musical da pessoa é semelhante ao meu?
5)    Quem deixa mensagem para ela? Que tipo de mensagens?
6)    Mais fotos da pessoa para dar confiabilidade à beleza inicialmente conferida na foto principal do perfil.
7)    A pessoa tem muitos amigos? É popular? Seus amigos parecem pessoas legais? Têm muitas pessoas do sexo oposto no perfil dela?

Mas o Orkut além de ser analisado como uma vitrine para avaliar pessoas interessantes, também é utilizado por alguns RH para avaliar perfis de candidatos. As vezes conta a favor e as vezes não

Todas as redes sociais de alguma forma são vitrines de nossa identidade virtual, enquanto o Orkut pode ser considerado uma vitrine mais pessoal, há outras vitrines, mais segmentadas, como o Linkedin que possui um valor mais profissional > quão bom é nosso currículo, em que empresas já trabalhamos, com que cargo, quem nos recomenda e porque recomenda?

De alguma forma a internet colaborativa nos permite estar presentes em diversos ambientes sociais, e portanto temos que ser bem cuidadosos em estruturar nossas vitrines virtuais onde, através delas o mundo nos vê e nos avalia como pessoas relevantes, bonitas, importantes ou não. O fato é que algo somos, pois de alguma forma alguém nos enxerga e nos avalia…dia-a-dia, minuto a minuto.

Compartilhe:
  • Google
  • TwitThis
  • Technorati
  • LinkedIn
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Pownce
  • Rec6
  • Live
  • Print this article!

Audiência na Internet

September 14th, 2008 - 7 Responses

49 milhões é a quantidade aproximada de usuários brasileiros na internet, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha com F/Nazca em 2007. Destes, 68% acessam redes sociais (diversas fontes + ibope; 2008) e 52% lêem blogs, no mínimo, uma vez por mês (Wave3 - Universal-Mccann; 2008).

Parece um número bastante grande, visto que o estado de São Paulo inteiro possui 40 milhões de habitantes e na América Latina só perde em número de habitantes para a Colômbia – que diga-se de passagem, é um país!

Mas estamos vivendo uma era de excesso de informação, principalmente pela internet: são muitos portais de conteúdo, sites, hotsites promocionais, plataformas de compartilhamento de vídeos e fotos, redes sociais, ambientes 2.0 e só de blogs ativos estamos com mais de 500 mil somente no Brasil. Com tantas fontes de conteúdo, não é possível deixar de sofrer com a fragmentação da audiência.

No dia-a-dia dos que lutam para ganhar com publicidade – que só faturam se houver audiência – agências on-line e Problogers tentam de tudo para desenvolver um trabalho que atraia e prenda a atenção do internauta.

De um lado, as agências on-line criam hotsites promocionais com o objetivo de formar uma boa base de leads e depois vender, algumas criam até blogs corporativos e comunidades para um determinado target, na tentativa de criar uma aproximação entre marca e clientes. Mas sofrem com a fragmentação da audiência, pois não basta mais ter um diretor de criação fudido que crie um hotsite do kralho sem que haja uma boa estratégia de divulgação que leve visitantes para lá.

Assim como um blogueiro vai perder o tesão de gastar pelo menos 1 hora para escrever um bom post, se não houver audiência significativa para lê-lo. Muito menos vão ficar ricos continuar com o AdSense sem uma boa visitação.

Para as agências a solução muitas vezes é trabalhar com mídia para levar tráfego para os hotsites e ambientes de campanhas que criam. O que nos leva a ser cada dia mais mirabolantes nas estratégias de divulgação, que podem envolver banner em portais, links patrocinados, e-mail marketing, publieditorial em blogs, mídia no You Tube, propaganda na tv e até links de divulgação na descrição de comunidades do Orkut – como teve a campanha “O que está acontecendo com a Grazi”.

No caso dos blogs a estratégia muitas vezes gira em torno de troca de links e parcerias que podem rolar no esquema ‘meus blogs preferidos’, ou referências de posts entre blogs. Os que possuem menor audiência aproveitando picos de acesso vindos dos links nos blogs mais populares e os mais populares ganhando no long tail.

Mas há outras soluções para blogs, que vão desde um cadastro em diretório de blogs, como o BlogBlogs, Interney, Buzzca, Brasil Blogs, Central Blogs, entre outros…como a tentativa de engatar um link na home de gerenciadores de conteúdo como Ueba, diHITT, Linkk, Rec6, Overmundo etc - o que pode ser facilitado se usarmos o Post Social. O Twitter também anda sendo bastante usado para divulgação de posts e blogs.

Importante observar, também, que recentemente temos visto iniciativas de blogueiros com portais de conteúdo, como Yahoo! Posts e Buzz Globo que, aproveitam um percentual do tráfego destes portais para levar visitação para determinados blogs. Estes ganham picos de audiência de até 10X mais acessos que o normal se forem linkados na home destes agregadores de conteúdo.

Pois é, 49 milhões é gente pra caceta, mas o tempo das pessoas na internet é limitado e dividido entre inúmeras opções, que vão de e-mail e google até Orkut e You Tube. Nestes tempos de fragmentação de audiência e busca por conteúdo de qualidade, cada acesso único vale ouro e precisa ser conquistado na manha…

Compartilhe:
  • Google
  • TwitThis
  • Technorati
  • LinkedIn
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Pownce
  • Rec6
  • Live
  • Print this article!

Nossa história através das redes sociais

August 26th, 2008 - One Response

Prefácio
(nota histórica na internet – primeiro post de blog que possui prefácio)

Noutro dia, em um momento nostálgico (não EMO) relembrei dos meus tempos no colégio e fui logo acessar o Orkut para ver se tinha alguma comunidade da minha velha escola, quem sabe com meus velhos e desaparecidos amigos. E encontrei! Fotos deles nos dias de hoje, o que fazem, em que se formaram, suas esposas, filhos e filhas. Achei desde notícias sobre mudança de dono do colégio até filhos de velhos professores dando notícias sobre os mesmos na comunidade. Velhos alunos, com seus mais de 40 anos, pedindo para estes filhos de professores dizerem para seus pais que só se formaram em X por causa deles, que só se tornaram médicos, engenheiros, físicos graças e estes professores..

Desde que li estes tópicos no Orkut nasceu uma vontade de escrever sobre a importância das redes sociais na conservação da nossa história como seres humanos e indivíduos, que se relacionam e aprendem com tantas pessoas que com o passar do tempo perdemos contato. São momentos que tivemos e já se foram na história, mas que para sempre ficarão guardados lá – na internet, através das redes sociais.

Assim nasceu a idéia deste post..

Capítulo 1

(e lá se vão metade dos leitores)

Quando eu e a maioria de vocês éramos pequenos, a conservação física das nossas lembranças e a de nossas famílias ficavam concentradas em simplórios envelopes ilustrados com um selinho da Kodak. Estes sagrados envelopes tinham a missão de registrar todos os momentos de uma família para serem repassados de geração a geração.

E assim, a cada festa familiar lá vinha aquele primo descolado ou aquele padrinho informatizado carregando um pedaço de tijolo com uma lente na frente, sempre prontos para registrar no mundo da história mais dos momentos da família.

Mas o mundo não é perfeito, certo? E com os anos as fotos impressas vão sumindo…sumindo..sumindo… até se tornarem retângulos esbranquiçados – que não dizem nada.

Pois é, e assim perdíamos partes de nossa história e a de nossa família.. e todos ficaram infelizes para sempre…

Até a Kodak //sempre ela// lançar a primeira câmera digital disponível comercialmente em 1990, que se popularizou em meados de 2001. A partir de então já poderíamos registrar eternamente em nossos HD’s as memórias de nossas famílias e momentos. Contudo, somos, por natureza, pessoas sociáveis e não nos agüentaríamos em simplesmente deixar as fotos no computado né? Ai nasceu a paquerinha com foto no IRC e ICQ, aquele perfilzinho bobo no ‘Amigos Virtuais’ da UOL (desenterrei hein) que se transformou no profile de Orkut, que terminou como um álbum de fotos no Flickr ou no Fotolog – e é ai que entra o papel das redes sociais na preservação dos momentos e fases da nossa vida.

Agora, diante da existência de tantas redes sociais, cada uma com sua finalidade, conseguimos reconstruir grande parte de nossa história, a de nossos amigos e a de nossas famílias através de ferramentas colaborativas.

Usando o Last FM posso criar tanto uma playlist com as músicas que ouço hoje, como uma com as músicas que eu ouvia na minha adolescência, e muito do meu estilo mudou. Meus amigos no Last FM facilmente descobrem que já passei por uma fase hardcore, uma mais gótico/alternativo, bossa nova, jazz, até chegar no meu padrão musical de hoje – que, acreditem, ainda vai mudar a medida que os anos se passam. E quem acessar o meu perfil no Last FM daqui a 30 anos vai poder ver cada estilo e banda que curti, e como meu gosto evoluiu (ou regrediu.rs).

E a conservação de nossa história através das redes sociais vai além, tem casais que filmam com o celular o seu primeiro beijo e o publicam no You Tube (pasmem), beijo este que o filho deles um dia vai poder acessar e ver, talvez o neto até..

Há quem publique as fotos do casamento e dos filhos pequenos no Orkut, marca as empresas por onde trabalhou e ex-colegas de trabalho no Linkedin, as faculdades onde estudou no Facebook e assim vamos registrando toda nossa história, nossa vida, na internet – fonte esta inesgotável em quantidade de armazenamento de informação, acessível para qualquer pessoa no mundo todo, nesse século, no próximo, no tempo que for!

O resultado dessa evolução social e tecnológica é a nossa realidade hoje - somos mais que colaboradores nessa grande massa social que interage mutuamente com ferramentas, pessoas e marcas. Somos indivíduos cuja história poderá ser contata com enorme grandeza de detalhes, no tempo que for, por qualquer pessoa do mundo, mesmo que esta pessoa sequer tenha nos conhecido!

Estamos e estaremos aqui, registrados, enquanto houver internet, enquanto houver mundo…enquanto houver pessoas, vivendo e gravando suas histórias…em simbólicas fotos digitais, em listas de músicas, em vídeos de 30 segundos… em redes sociais.

Compartilhe:
  • Google
  • TwitThis
  • Technorati
  • LinkedIn
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Pownce
  • Rec6
  • Live
  • Print this article!